sábado, 17 de outubro de 2009

A vida não é só trabalhar!

By Aristides Girardi


A vida não é só trabalhar, óbvio que não. Acontece que a maneira tradicional de "aproveitar" o tempo em família mudou. "Antigamente", chegava o final de semana e lá íamos nós com a família para um almoço especial na casa da vovó! Muitos, ainda conseguem essa proeza nos dias atuais, mas a grande maioria dos executivos, não!!

Você percebeu que quando você se torna um finalista em um processo de seleção, ou mesmo quando recebe um convite direto, na hora de negociar a remuneração, sempre o que chama a atenção são os benefícios? Benefícios?

Além do salário, que é ótimo tê-lo, você recebe a promessa de que terá com todas as despesas pagas, um lindo celular, um nextel, um Black isso ou um Black aquilo, outro celular corporativo, um moderno laptop com webcam, wireless, pen drive, mobile internet, baterias extras, cartão corporativo, reembolso de quilometragem, etc.? Um verdadeiro arsenal de "guerra" para desempenhar o seu papel de acordo com o script do "Board".

E como a demanda por executivos está em baixa, a ordem é caprichar, e aproveitar os sábados e domingos para turbinar os relatórios, planos de viagens, agenda, roteiros, apresentações, orçamento pessoal, recarregar a bateria "do celular", e outras coisa importantes e necessárias para a "batalha" da próxima semana, e garantir o "leite das crianças".

Você ia dar uma voltinha com seu filho mas como está chovendo, teve uma idéia bacana, foi até o Shopping mais próximo e o deixou brincando no "parquinho" para ele se divertir um pouco, não é mesmo. Enquanto isso você vai até a praça de alimentação ler alguns e-mails. Como tem que responder muitos e-mails e o final de semana será "curto", deixa o menino no parquinho mais uma hora, ele vai se divertir...e por aí vai. Chega o domingo à noite, hora de arrumar a mala e o arsenal, afinal de contas amanhã, segunda-feira tudo começa de novo. São 6hs da manhã de segunda, e você já está pronto, ou pronta, vale para as queridas mamães também, e bola prá frente, rumo a novos e desconhecidos desafios que a semana lhe reserva.

Na segunda-feira à noite, num lampejo de solidariedade, emoção, saudade (afinal você está se sentindo tão só), abre uma janela na sua agenda e liga para o filho, que do outro lado com voz embargada e tímida sussura, "papai, estou com saudade de você", e você retruca com delicadeza e maestria digna de um executivo, mas filho, ontem eu levei você no shopping, no parquinho, na sorveteria, na banca de revistas, no cinema, no banheiro, você ainda passou a tarde toda na casa da tua vó? Isso tudo não foi suficiente para você meu filho? E do outro lado, o frágil "adversário", inexperiente, sábio, observador, com voz calma e educada te responde: "fiquei feliz sim papai com tudo isso, mas estou com saudades DE VOCÊ!"

Se a vida não é só trabalhar, então a vida é o que?



sábado, 10 de outubro de 2009

Por que tantos executivos estão divorciando?

By Aristides Girardi

Esta semana um tema chamou minha atenção de uma forma especial. Quero de bate pronto adiantar que não tenho nada contra nem a favor, até porque também já fui divorciado em plena carreira trabalhando em grandes organizações. Foi um casamento de 20 anos, uma linda história, com três filhos maravihosos, mas acabou. Agora, completados 12 anos no segundo casamento, com mais uma filha maravilhosa, o barquinho vai navegando em águas tranquilas, não por falta de tempestades, tsunâmis e tornados. Ainda bem que a vida ensina, se aprendermos, nos permitindo desfrutar de várias maneiras esta experiência, agregando ao currículo da vida uma seção muito particular.
Voltando ao tema, esta semana conversei com mais ou menos 90 executivos e executivas, quase 100, e fiquei impressionado com a quantidade de divorciados ou divorciandos que tive o prazer de conhecer e conversar durante os processos, buscas e abordagens, normais no dia a dia de um headhunter.
Ainda ontem um executivo me ligou, pedindo para adiar um processo de Career Transition, pois tinha acabado de tomar a decisão de "dar um tempo" e já estava instalado em um hotel enquanto que duas crianças tinham ficado na casa com a esposa (eles estão morando em outro país). Pelo que entendi foi um acordo maduro, civilizado e inteligente do ponto de vista que as crianças não foram envolvidas na discussão e durante o dia, enquanto durar a "trégua", a ordem é manter o que for possível, no lugar. E longe de usurpar a figura do Mestre, no meu humilde ponto de vista, neste caso a receita vai dar certo, e minha torcida nos próximos 120 dias, prazo negociado, vai ser totalmente a favor da reconciliação.
Não sou especialista no assunto, mas fiquei me perguntando algo que nunca tinha me passado pela cabeça, por que tantos executivos e executivas estão se divorciando?
Será que é o ritmo de trabalho que os afasta da família e ao mesmo tempo os aproxima do "mundo"? Será que mesmo vivendo próximo da família, um vacilo deixa o amor esfriar e a rotina "mata" o relacionamento?
Ou talvez um nível de expectativas muito elevado em relação ao cônjuge têm levado ao desgaste da relação conjugal? Já ouvi jargão de especialista dizendo: "Passam mais tempo com colegas de trabalho e pessoas do convívio profissional do que com o cônjuge...". Daí surge outro questionamento, e os casais que se separaram porque a relação desgastou virando um "verdadeiro inferno" porque trabalhavam juntos??
O ciúme, discussões, dissenssões, disputas, competições e outras coisas mais, em geral, detonam qualquer convivência, mas a entre marido e mulher, acaba em inimizade e às vezes até em divórcio.
Me dá um "nó" na reflexão, a idéia de que há casais, inclusive celebridades, onde cada um mora em um endereço diferente sob a alegação de que não ficando muito tempo juntos, haverá meno discussões e com isso, o risco de um rompimento será menor. Será??
Sendo prático e exclusivamente no intuito de contribuir com este tipo de debate, eu penso que um dos maiores motivos pelo qual os executivos e executivas se divorciam é a absoluta falta de um objetivo comum.
Existem outros? Claro, todos nós sabemos que sim. Mas para mim, este é um dos principais. Independente de ser ou não um executivo, ambos devem ter um objetivo pessoal. O marido deve ter e buscar alcançar suas metas, objetivos, sonhos e realizações, tanto no campo pessoal como no profissional. A esposa, igualmente, deve buscar e atingir suas metas, objetivos, sonhos e realizações, tanto no campo pessoal como no profissional. Se pararmos por aqui, "o bicho pega". É necessário completar o tripé, que em tese, havendo amor, respeito, altruísmo, abnegação, longanimidade e cumplicidade, vai sustentar a relação por tempo indeterminado, proporcionando qualidade de vida, alegria e felicidade. Nos momentos de lutas e batalhas, uma união inabalável em torno da busca das soluções para vencer os desafios será a marca registrada do casal. O tripé só se completa havendo um objetivo comum ao casal. Este objetivo comum respeitará os outros dois fundamentos e levará à mesa de discussões e do planejamento familiar e profissional de ambos, um tom de conciliação, ajuda mútua e gratidão. Será portanto, o ponto de equilíbrio da relação.

Aristides Girardi
Headhunter

domingo, 4 de outubro de 2009

Pense 7 vezes antes de pedir demissão

 
Você está com "vontade" de pedir demissão? Pense 7 vezes antes de fazê-lo!
Foi construído na mídia brasileira um cenário virtural que não bate com a realidade que vivencio no dia a dia, em relação à demanda por executivos.
Recebo diariamente telefonemas e mensagens de executivos brasileiros residentes no México, Estados Unidos, Espanha, Itália, França, Holanda, Alemanha, África do Sul e China, que estão planejando voltar de "mala e cuia" para o Brasil desde 2010. Um deles antecipou a sua vinda e já chegou em São Paulo. Principalmente alguns países da Europa estão privilegiando contratar nativos e despedir estrangeiros fazendo engrossar a lista de interessados em voltar ao novo "Eldorado Planetário" chamado Brasil.
Enquanto isso, inclusive finais de semana, recebo mensagens de executivos que acabaram de ser demitidos por conta de reestruturações, incorporações, enxugamentos, ajustes, idade "avançada", etc., por conta do rescaldo do tsunâmi provocado pela crise financeira que atingiu muitos grupos econômicos sediados no Brasil. Alguns não chegaram a balançar ou quebrar, mas por diversos motivos reduziram drásticamente o seu tamanho. Por exemplo um dos ícones da indústria nacional do setor de tecidos tinha antes da crise 30.000 funcionários e hoje tem 11.000, além de ter amargado um prejuízo fenomenal em seu balanço, e levando executivos a acumularem funções deixadas por aqueles que foram dispensados neste processo. Por conta da máxima "é preciso crescer para sobreviver", grandes conglomerados mundiais estão expandindo seus investimentos no Brasil, só que via compra de empresas, gerando um movimento de dispensas, pois as funções estratégicas pertencem, em geral, ao corporativo. Haverá a compensação no seu devido tempo destas perdas de hoje, cujos reflexos se darão por conta do ajuste da economia na forma que todos nós já conhecemos. Mas até lá? Ter cautela é bom. Conheço executivos capacitados, experientes, inteligentes, bem recomendados e com um histórico de resultados de fazer "inveja" a muita gente, que estão tendo dificuldades de se recolocar, vão se recolocar com certeza, mas não no tempo que gostariam e precisam. O que me levou a escrever este artigo, foi o grande número de executivos que falam comigo todas as semanas, sinalizando que estão insatisfeitos com a sua atual empresa, que não gostariam de serem transferidos para determinada cidade, que cansaram de esperar as recompensas prometidas, que estão chateados por não verem suas idéias implantadas, que já estão descrentes das políticas da Cia., que estão sobrecarregados de trabalho e siquér conseguem tirar férias, e vai por aí a fora!!
O que me preocupa é que a grande maioria dos colegas está estimulada a procurar esta mudança com base na "forte musculatura da economia brasileira" que caminha para um futuro promissor e brilhante. Organismos internacionais sinalizam que realmente o Brasil está se recuperando e crescendo, afinal nosso mercado interno está vigoroso, mas temos que considerar os movimentos de ajustes na economia brasileira que invariavelmente provocaram e continuam provocando a dança solitária das cadeiras, ou seja é a dança de um só. Executivos e executivas, foram empurrados para a busca de alternativas empreendedoras, reciclagens acadêmicas, tecnológicas e de mercado. Aos que estão sedentos por mudança, mudem, mas calculem os riscos para que um plano B seja acionado se algo der errado. Aos que estão em busca de uma recolocação, se concentrem nas suas competências, sem compará-las às dos outros, e fortaleçam o seu network, hoje muito apoiado por ferramentas da internet, comunidades profissionais e facilidades oferecidas pela fluente comunicação global. Isso vai ajudá-los a diminuir o tempo de recolocação. A todos saúde, fé e boa sorte!

Aristides Girardi
CEO Starhunter Executive Search

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