domingo, 6 de junho de 2010

Quando foi a última vez que você contemplou a própria sombra?

By Aristides Girardi

Eu e a Hannah no parque contemplando as próprias sombras

Tenho observado a maioria dos executivos e executivas correndo contra o tempo. A busca obstinada pelo sustento ou a busca consciente e determinada pela manutenção e desenvolvimento da sua carreira, exige aplicação, disciplina, responsabilidade e TEMPO.
Olhamos à volta e nos envolvemos com tudo e com todos. Assuntos pessoais, profissionais, internos, externos, íntimos ou públicos, literalmente consomem nossos recursos, energia, criatividade e tempo.
É possível reviver aquela época em que o sábado à tarde demorava muito para passar e o domingo era uma ETERNIDADE. A segunda-feira parecia não chegar nunca, era distante. Hoje, segundo me contam, a sensação é de que daqui a pouco já será segunda-feira...e ainda são 11hs de domingo. Na terça-feira a sensação é de que a sexta-feira já está chegando...é necessário CORRER.
Os dias vão passando e sentimos aos poucos um peso nos ombros, um cansaço na respiração, uma ameaça de desânimo em nosso coração.
É como seu um vazio tomasse conta do nosso contexto. Vazio? Sim. Um vazio.
A impressão que temos às vezes é de que não estamos conseguindo "colocar as coisas em dia".
Estamos sempre atrasados, ou senão, com o sentimento de que deixamos de fazer algo.
O descompasso entre o TEMPO real e o tempo que empreendemos em nossa mente, é o responsável pela maioria do desconforto que sentimos no dia a dia em relação a este tema.
Hoje, estava refletindo, e estou aqui para compartilhar, quando foi a última vez que contemplamos nossa própria sombra? Interessante que comecei a caminhar pela sala e ao ver minha sombra projetada pela luz artificial, pareceu ser tão ARTIFICIAL, sem graça, sem vida, parecia uma cópia. E a incrível sensação de que amanhã já é segunda-feira também me atingiu. Esquisito!
Olhei pela janela e vi que o sol iluminava a paisagem com todo o seu esplendor e o céu estava maravilhosamente azul, e num impulso fui até o meio da rua e fiquei parado, exposto ao sol. Ao contemplar  a minha sombra projetada pela luz do sol, pude percebê-la real, com VIDA, como que conversando comigo. O sentimento naquele momento, era o de que o tempo parou. Um silêncio interior, sincronizado, ajustado e em plena harmonia com aquela sombra, me dava a sensação de que não havia mais descompasso, nem correria, nem vazio, nem cobranças de coisas deixadas de fazer, nem dias da semana ou coisas assim.
O resultado que esta experiência produziu foi a certeza de que o sincronismo entre o tempo real e o tempo mental pode produzir ganhos imensuráveis de QUALIDADE DE VIDA.
Voltei para o interior da sala e agora ouço o ruído dos motores que rasgam o silêncio do meu bairro, como antes, mas agora vejo uma borboleta branca sobrevoando a copa das árvores, observo o vento balançando suavemente os galhos. Ouço vozes ao longe, e tantos outros sons, que minutos antes não ouvia.
Amigo, quando foi a última vez que você contemplou a própria sombra?


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