segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A síndrome da mudança profissional de cidade

By Aristides Girardi

Respeito, mas fico "de cabelo em pé" quando converso com um executivo sobre uma oportunidade na qual ele atende perfeitamente as demandas do perfil da vaga e a primeira pergunta que ele me faz é: "Em qual cidade fica a sede da empresa?". Não que eu ache algo errado com esta pergunta, é que em 90 % dos casos em que o candidato me faz esta pergunta de bate pronto, durante o processo ele acaba desistindo de participar, e normalmente, sob pretexto de uma "desculpa esfarrapada".
Ainda bem que este grupo de profissionais que tem limitações, justas e convincentes, para uma mudança de cidade, é pequeno. São questões relacionadas à saúde, família, compromissos, filhos, etc;
A grande maioria, reage com naturalidade ao saber que a sede da empresa não fica na cidade onde está trabalhando no momento. Até porque, aceitar uma proposta com base na sede da empresa, hoje em dia, é um risco. As empresas, em especial as de grande porte, podem fazer uma fusão, venda ou incorporação a qualquer momento, e mudar a sua sede. Dependendo da função, por exemplo, um executivo da área comercial de uma empresa que tem a sede no interior de um Estado, certamente não ficará 30 dias por mes na empresa esperando que os clientes o visitem ali e façam negócios, na média, ele viajará, e muito, no mínimo 80% do seu tempo. O importante é fixar sua análise na oportunidade em termos de carreira, nas demandas do perfil da vaga, remuneração e benefícios, e perspectivas de desenvolvimento integral da sua carreira, porque às vezes o sacrifício de uma mudança pode resultar em conquistas interessantes tanto profissionais quanto pessoais e financeiras. Conversei recentemente com um grupo de executivos de um staff em uma grande indústria no interior e que há alguns anos migraram de grandes capitais e percebi nitidamente uma satisfação pela qualidade de vida e sucesso que estão experimentando neste novo desafio. Conversei também nas últimas semanas com três executivos, um nos Estados Unidos, outro na China e outro na Alemanha, todos brasileiros que sairam do conforto de seus endereços aqui no Brasil e estão plenamente felizes e satisfeitos com tudo que estão vivendo em seus momentos profissionais. Fico feliz e ver que os executivos brasileiros, cada vez mais, estão preparados para o "que der e vier" produzido pelo mercado globalizado.

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